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Entrevista concedida à jornalista Juliana Brito - Folha Dirigida. Caderno Educação - Julho de 2013

JB - O que significa, para os sr. o posicionamento do Brasil no ranking, que se manteve na 14° posição, a mesma do ano anterior? ZG - Este estacionamento do Brasil nesta posição reflete nossos indicadores relativos à saúde, educação, concentração de renda, pobreza e igualdade de gênero. Apesar dos programas sociais do governo atual e de todos os esforços feitos nos últimos dez anos, a dívida social acumulada é muito grande considerando-se que os governos anteriores a este período pouco ou nada fizeram para diminui-la e preferencialmente quitá-la. JB - Em especial, o Índice destaca o percentual de 5,7% aplicado na educação, o ano passado era de 5,1 %. Vemos que o investimento nessa categoria cresceu, no entanto, o país não viu resultados. O que falta ser feito? Acha que o percentual aplicado na educação deveria ser maior? ZG - Considerando apenas o grupo de 20 países mais ricos do Planeta o Brasil se situa na 14ª posição, apesar de ter elevados os seus índices de investimento em ...

Royalties do Petróleo para a educação: melhoria da qualidade e riscos

(Entrevista concedida à jornalista Alessandra Bizoni, Folha Dirigida, Caderno Educação, julho de 2013) Nesta terça, dia 2, o Senado analisa do projeto de lei (PLC 41/2013) que destina 75% dos royalties do petróleo para educação e 25% dos royalties para saúde. De acordo com projeções da Nota Técnica da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados, as mudanças trarão cerca de R$261,44 bilhões para as áreas de Educação e Saúde até 2022. A proposta original, que previa 100% dos royalties para educação, apontava com um volume de R$25,8 bilhões para o mesmo período. 1. Na sua avaliação, qual deve ser a prioridade nos gastos com os royalties? ZG - A prioridade é sem dúvida o oferecimento pelo Estado de uma escola pública de qualidade e a concretização do Plano Nacional de Educação 2011-2020. Observe-se porém que volume de recursos não pode ser drenado pela iniciativa privada visando atender projetos com fins de enriquecimento rápido. 2. Quais medidas de curto prazo podem causar im...

Entrevista concedida ao jornalista Vinicius Correa do Jornal Folha Dirigida, Caderno Educação. Em 03.05.2013.

VC - Como O senhor analisa o projeto que está em aprovação na câmara que propõe o fim da cobrança das taxas dos cursos de pós-graduação lato sensu nas universidades públicas? Que benefícios e prejuízos a proposta pode trazer? Particularmente não gosto desta interferência da Câmara Federal propondo o fim da cobrança das taxas. Já vimos os resultados disto nos anos 1970/1980 quando foram extintas todas as taxas e emolumentos cobrados na Educação Básica, incluindo a caixa escolar. Esta proposta desacompanhada de verbas compensatórias para as universidades tem efeitos muito negativos porque há perdas de pequenos recursos para certas demandas imediatas. Além disto, se acompanhada de obrigatoriedade de oferecimento seguramente vai desguarnecer o quadro docente da graduação e da pós-graduação stricto sensu mesmo que esteja acompanhada da possibilidade de os professores poderem incluir a carga horária de especialização em seus planos de trabalho. Nas universidades públicas ela é cobrada por...

Entrevista concedida ao Jornal Brasil de Fato – Jornalista Patricia Benvenuti, em 06/05/2013

JBF- Na sua avaliação, o que representa a fusão entre o Grupo Kroton e a Anhanguera, que deverão formar o maior grupo educacional do mundo? Esta fusão traduz o ímpeto voraz do capital nacional e estrangeiro no campo da educação brasileira. Desde que a Organização Mundial do Comércio (OMC) passou a considerar a educação como um serviço prestado como qualquer outro, tem sido crescente a busca de lucro rápido neste segmento da economia mundial. No Brasil há grupos de instituições privadas obtendo lucros superiores à média de outros grupos e empresas nas bolsas de valores. A fusão entre o Grupo Kroton e a Anhanguera tem suscitado muito a questão da entrada de capital estrangeiro na educação superior brasileira. Qual é a origem desse processo de “desnacionalização” do ensino superior no Brasil? A origem é a avidez de lucros dos investidores. A entrada deste capital no Brasil resulta da falta de regulação por parte do governo brasileiro. Também o mito arraigado na mente de importantes ...

Educação Brasileira e bandidagem

(publicado no Jornal Folha Dirigida, Caderno Educação, Coluna Sem Censura, página 04, edição de 11 a 17 de abril de 2013.) Nesta semana que passou, mais precisamente no dia 04 de abril de 2013, o deputado Robson Leite (PT/RJ) na qualidade de relator da CPI/ALERJ de privatização do Ensino Superior no Estado do Rio de Janeiro leu publicamente o seu voto. A votação do relatório, no entanto, ocorrerá entre os dias 11 e 18 de abril. Anteriormente já comentei acerca dos cuidados na elaboração do relatório. Foi feita a investigação possível com dados de diversas fontes e se conseguiu identificar 16 grupos nacionais e internacionais de investidores em Educação Superior no Estado do Rio de Janeiro, presencial e a distância, e pasmem, também na Educação Básica. O que o relatório revela é estarrecedor. Dezesseis grupos destacam-se como os principais investidores que atuam no Brasil. A CPI identificou e caracterizou os seguintes, conforme consta no voto do relator. 1. “Estácio S.A /GP e out...

Ataques à Educação Superior do Estado do Rio de Janeiro

(Publicado no Jornal Folha Dirigida, edição de 2 a 8 de abril de 2013, Caderno Educação, Coluna Sem Censura, p.4, com o título "Privataria ataca a educação superior do Estado do Rio de Janeiro) O capital privado nacional e internacional e suas práticas de privataria continuam a avançar sobre o campo da educação brasileira tal qual um tsunami com pouco ou nenhum controle fixado pelo MEC. A voracidade da onda privatista prossegue atraindo ávidos investidores das bolsas de valores do Brasil, Estados Unidos e União Europeia certos de que a frouxidão de controles haverá de permitir lucros líquidos e fáceis cada vez maiores. Para nossa estupefação os negócios são realizados com gordos financiamentos do Governo Federal através do Programa Universidade para Todos (PROUNI), Fundo de Financiamento Estudantil (FIES, e com a ação de diversos governos municipais que pactuam convênios milionários com grupos educacionais gigantescos sem as devidas licitações públicas, transferindo recursos da s...

Entrevista ao Jornalista Antonio Pita, para O Estado de São Paulo, em 21/02/2013.

1. O que poderia justificar, pedagogicamente, a distribuição desses jogos na rede municipal de ensino? Eles podem ser utilizados em sala de aula? Zacarias Gama - A literatura diferencia o jogo pedagógico, didático ou educativo do material pedagógico. O jogo tem sempre um caráter lúdico e visa atingir determinados objetivos específicos, como por exemplo, a apreensão de conteúdos de difícil aprendizagem. Neste sentido é um mediador lúdico de aquisição de determinadas informações. Parece-me que no caso do “Banco Imobiliário Cidade Olímpica”, produzido por uma empresa fabricante de brinquedos e distribuído pelo prefeito Eduardo Paes, da cidade do Rio de Janeiro, sejam outras as suas finalidades e justificativas: primeira, fixar as obras do mesmo prefeito com nítido caráter de propaganda eleitoral para fins de sua própria reeleição; segundo, a formação de futuros e eficientes investidores imobiliários ou em negócios afins. Quanto ao uso de jogos lúdicos em sala de aula há controvérsias, d...