Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2008

Uma derrota educacional anunciada

Em matéria assinada por Josie Jerônimo, veiculada na edição do dia 21/1/2008, do Jornal “O Dia Online”, ficamos sabendo que os docentes aprovados em concurso realizado ontem, dia 20 de janeiro, estarão assumindo turmas no dia 18 de fevereiro. O resultado do concurso sai no 13 e cinco dias depois já serão regentes de turma! O Secretário Estadual de Educação quer contar com estes professores no dia 18, mesmo sem terem sido submetidos a exames médicos, diz-nos a jornalista. À primeira vista, é louvável o empenho do Sr. Secretário. Face ao déficit existente, sua atitude é, de fato, de se elogiar. Mas, se nos detemos um pouco que seja, começamos a entender que é o mesmo que mandar uma tropa para o Haiti, Iraque ou para a Faixa de Gaza tão logo os recrutas estejam engajados. Se há disposição para se engajar, supõe-se que uma vez fardados saibam o que fazer no campo de batalha. Não há treinamento prévio, nada. Talvez nem saibam atirar ou identificar seus objetivos. Continuando com a met...

Baixo desempenho escolar na maioria das cidades brasileiras

O Blog do Demétrio Weber - Educação à Brasileira - linkado a O Globo, a partir da edição de 19 de janeiro de 2008, diz que somente 2% das cidades brasileiras, na primeira edição da Prova Brasil, tem alunos matriculados na 8º série com desempenho igual ou superior a 5 em leitura. Em 98% dos municípios, os estudantes têm desempenho abaixo de 5. Para o autor do blog, a visibilidade desta tragédia decorre das efetivas ações avaliativas do MEC. Antes, diz ele, não tínhamos noção do desastre. Eu particularmente discordo dele. Há muito já se sabe disto. Os exames oficiais (SAEB e ENEM, por exemplo) e os exames do PISA dão visibilidade a esta tragédia desde o final dos anos 1980. De lá para cá é, entretanto, preciso reconhecer que muita coisa foi feita, mas de cima para baixo. As políticas públicas, contudo, estão sendo ineficazes para a alteração do quadro. Fora as razões políticas, clientelistas, eleitoreiras etc, elas ainda não encararam o problema de frente, por exemplo com garantias de su...

Esperteza tragicômica

As peripécias estudantis prosseguem e as surpresas seriam tão somente pitorescas, se não fossem dramáticas. Desta vez a esperteza para fraudar resultados em exames na China transformou-se em uma peça tragicômica. Em Qingdao dois diferentes e desconhecidos estudantes universitários introduziram pontos eletrônicos nos ouvidos para se dar bem em um exame de inglês. Eles estariam na crista da onda chinesa de utilizar artefatos eletrônicos para colar em provas. E o estratagema é aparentemente simples. Alguém introduz o aparelhinho no ouvido e um colega, distante do local do exame, passa as respostas corretas. Para retirá-lo basta usar um imã e pronto. O tiro porém saiu pela culatra. Não houve imã que desse jeito. O remédio foi buscar ajuda e somente com cirurgia os médicos os livraram dos pontos eletrônicos. A dor e o vexame contudo não se traduziram em atitudes de retidão. Os dois estudantes solicitaram os aparelhos aos seus médicos e pensam utilizá-los na primeira oportunidade. Os profess...

Resistência à escola

Em anos de magistério posso afirmar ter visto e vivido muitas coisas em escolas, principalmente nos inícios de anos letivos. Já vi crianças que choram, escondem-se e agridem os outros querendo fugir dos bancos escolares. Até na Universidade já vi mãe de aluno indo à sala de aula checar a presença do seu bebê de mais de 18 anos. Mas esta notícia que vem do México suplanta tudo o que vi e vivenciei. Fiquei pasmo ao lê-la: "Menino mexicano se cola à cama para não ter que ir à escola". É isto mesmo. O pequeno Diego se colou à cama e somente pôde ser retirado depois que paramédicos e policiais de Guadalupe usaram um solvente especial. A esta altura da minha vida docente, confesso já não esperava mais ter conhecimento de fato tão original e ao mesmo tempo dramático. Há muito a "teoria da resistência" está enunciada e as diversas formas estudantis de contestar a escola tornaram-se velhas conhecidas. Em pelo menos uma revista em quadrinhos, com muito bom humor, imortali...

Agonia e matrículas: caprichos de uma Secretária impopular

A temporada de matrículas nas escolas de ensino público do município do Rio de Janeiro está aberta, mas os pais ou responsáveis precisam ter fôlego para enfrentar as filas. Segundo o jornal "Extra", edição do dia 11/01, os pais alegam "que para conseguir fazer a matrícula perto de casa é preciso dormir na portas dos colégios. Alguns ficaram na fila desde terça-feira". A Secretária de Educação garante, no entanto, que todos serão matriculados. Mas vejam bem o que disse, como justificativa para o sacrifício desnecessário que impôs aos pais ou responsáveis: " O que nós queremos com os pólos de atendimento é abrir a oportunidade do pai conversar com as nossas equipes e matricular o seu filho na pré-escola porque nós sabemos da importância da pré-escola no desenvolvimento, na aprendizagem das crianças ". Convenhamos que o desejo da Sra. Secretária é estapafúrdio num momento de aflição dos pais, ansiosos por uma vaga na escola perto de suas casas e preocupad...

Alunos fantasmas?

Imagem
Em notícia veiculada hoje pelo jornal "O Globo Online" 2,9 milhões de alunos mariculados desapareceram da educação básica em levantamento feito pelo Educacenso. O que levou a esta queda significativa no número de matriculados? O Ministro da Educação quer acreditar, até prova em contrário, em erro de informação . O MEC, no entanto, já suspeitava de números inflacionados, talvez por fraude ou falha técnica. O fato é que em alguns municípios as matrículas efetivas caíram para a metade ou menos. Em termos absolutos, a maior queda - menos 1,1 milhão de alunos - ocorreu no ensino fundamental, justamente o nível de ensino em que, desde 1998, a repartição de verbas está vinculada ao número de matrículas. Vejamos alguns exemplos: Hidrolina (GO) Matriculados em 2006 - 296. Achados em 2007 - 67. Sumiram 77,52% dos alunos efetivamente matriculados no ano anterior. Serra Negra (SP) Matriculados em 2006 - 1.246. Achados em 2007 - 363 alunos. Sumiram 70,87% dos alunos efetivamente matr...

Professora italiana corta a língua de um aluno

ROMA (Reuters) - Uma professora italiana que cortou a língua de um aluno desobediente com tesoura recebeu uma suspensão de dois meses e foi multada em mais de 7 mil euros por um tribunal de Milão na terça-feira, informaram advogados. Mas o tribunal considerou que a professora Rosa Sciliberto não cortou intencionalmente a língua do aluno de 7 anos para silenciá-lo --como a polícia e promotores argumentaram. "Fiquei chocado com a sentença", disse o promotor Marco Ghezzi à mídia italiana. "Estou esperando para ler as motivações e, se não ficar convencido, vou apelar." A defesa argumentou que o corte, ocorrido em fevereiro, foi apenas um acidente, parte devido à hiperatividade da criança. O estudante teve que ser levado a um hospital para tomar cinco pontos. Desde então, Sciliberto foi retirada de sua função na escola primária em Milão, mas um advogado da empresa responsável pelo caso disse que ela pretende voltar a lecionar um dia.

Odisséia de uma mãe

(Matéria publicada no Jornal "O Dia", na edição de domingo - 06/01/2008). Mãe insatisfeita com o desempenho de sua filha de 12 anos, aluna da 6ª série de uma escola situada na Baixada Fluminense, vai à justiça para ver o plano da disciplina, depois de ter seu direito negado. Sua filha ainda não sabe dividir 100 por 4, aliás nem sabe começar. Até a Prefeitura do Município interditou o seu acesso ao plano. Foi preciso haver uma sentença judicial, feita por um desembargador, ter acesso ao dito cujo da disciplina matemática. Este evento revela o estado das nossas escolas e seus cuidados com o que vão ensinar. Parece até vôo cego. Cada um ensina o que sabe e o que quer. E o pior: parece que o Estatuto da Criança e do Adolescente ainda não ultrapassou os muros das escolas. O seu Artigo 53 é claro a respeito. Seu item III diz que as famílias, em nome dos seus filhos, têm direito de contestar os critérios avaliativos, podendo inclusive recorrer a instâncias escolares superiores. O Pa...