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Cazuza e a escola do medo: da crítica literária ao desafio atual

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Ontem publiquei na minha página do Facebook uma lembrança de leitura da infância: o livro Cazuza , de Viriato Correia, que devorei lá pelos doze, treze anos. A recepção dos amigos foi ótima, quase entusiasmada. Para quem não conhece, a obra conta a história de um menino do interior do Maranhão e sua trajetória pelas escolas do lugarejo natal, depois em uma vila maior e, por fim, em São Luís, a capital do estado. Li com o mesmo prazer que tive mais tarde com O Ateneu , de Raul Pompeia. Histórias passadas em ambientes escolares sempre me fascinaram — pena que sejam raras na literatura brasileira. Na época, ao ler Cazuza , eu não tinha condições de perceber a crítica embutida àquela escola autoritária, marcada pelo que Paulo Freire mais tarde chamaria de “pedagogia bancária”. Viriato Correia pinta com tintas fortes a figura do professor João Ricardo, que conduzia sua classe multisseriada com mão de ferro e palmatória em riste. A escola funcionava em dois turnos: pela manhã, crianças de se...