Vitórias raras e um imaginário em disputa
Zacarias Gama Parabéns aos realizadores do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e de Melhor Ator (Wagner Moura). Uma façanha notável, que se soma ao sucesso de Ainda Estou Aqui, premiado com o Oscar de Melhor Atriz para Fernanda Torres. São momentos raros em que o cinema brasileiro rompe o isolamento simbólico e se impõe no circuito internacional. É justamente por isso que o feito impressiona — e preocupa. Tudo indica que essas conquistas não se repetirão com regularidade. O intervalo de vinte e oito anos entre as premiações de Central do Brasil (1998), Ainda Estou Aqui (2025) e O Agente Secreto (2026) não é casual: ele revela a ausência de um processo industrial contínuo de produção cinematográfica no Brasil, algo que existe de forma estruturada em Hollywood, Bollywood e Nollywood. Aqui, o sucesso ainda depende mais de exceções heroicas do que de política cultural consistente. Essa descontinuidade tem consequências profundas...