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Mostrando postagens de junho, 2020

Qual “novo normal"?

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A expressão “novo normal” foi cunhada recentemente por Mohamed El-Erian, ligado ao think tank Instituto Millenium, para caracterizar o mundo pós-pandemia ou pós-ruptura estrutural. A expectativa é de mais intervenção do Estado na economia, maior tributação, menor crescimento mundial etc. Um indicativo cujo foco é a nova normalidade econômica com uma essência predominantemente conservadora. A sociedade capitalista de classes continuará a mesma, sem tirar nem pôr. É típico dos economistas não se preocuparem com as relações humanas, a não ser no campo econômico. Eles são incapazes de se deixarem sensibilizar com os novos comportamentos sociais. Por exemplo, com os gestos de solidariedade das pessoas, nomeadamente nas periferias mais pobres dada a ausência do Estado. Também deixam de observar a nova percepção que o professorado passou a ter na medida em que os pais foram forçados a se travestirem de professores e ensinar os filhos a escrever a palavra “bola” sem morder os cot...

O ato educativo também precisa ser uma posição de classe

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Ilustração  Revista Piaui Diante da ignorância de parcela considerável da sociedade brasileira, mais ou menos 30%, fico me perguntando se nós, o professorado, temos alguma parcela de responsabilidade na formação desta gente que sequer acredita nas milhares de mortes por Covid-19, que mitifica o senhor Jair Bolsonaro, que atribui a pandemia que assola o país à mídia, que acredita na forma plana da Terra e em muitas outras coisas mais que até Deus duvida. De onde saiu tanta gente analfabeta em tantos assuntos? Em sã consciência é impossível culpar o professorado em sua totalidade. Mas não se pode fazer vistas grossas muito embora uma boa parcela seja bolsonarista de quatro costados e que o defende mesmo sabendo que este governo tem diversas medidas contra o magistério. Essa parcela docente precisa ser estudada.  Tenho duas hipóteses a respeito.  1. Ela vem sendo formada nas instituições de ensino superior, públicas e particulares, apenas em bases té...

Somos resultados de múltiplas determinações

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Enganam-se redondamente os pais que acreditam serem os seus filhos o resultado da educação que lhes deram. E se enganam por uma razão simples. Eles não são herméticos. Nós, como disse Marx, resultamos de múltiplas determinações.  As mães, intuitivamente, sabem disto e não por acaso a toda hora advertem os filhos sobre as suas companhias. "Não quero você andando com aquele grupo", "Não quero você indo àquele lugar". Elas sabem que podem perder os seus filhos para o lado negro da vida. A sabedoria materna intui que as alterações que observa nos filhos vêm de outras pessoas e outros lugares. E isto é uma verdade. As nossas interações sociais deixam marcas em nós, têm poder de nos transformar para o bem ou para o mal. Não passamos incólumes por elas.  Uma pesquisa que realizei com estudantes mulheres muito pobres teve como resultado a apreensão de determinações variadas sobre elas, das amigas feministas que não admitiam viver dependendo dos maridos, das tias e avós; ela...

COISAS DA EDUCAÇÃO - Educação Pública: Educar para quê?

COISAS DA EDUCAÇÃO - Educação Pública: Educar para quê? : (inscreva-se no blog) Art.1º.  Todos os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se...

Educação a distância em tempos de pandemia e a reprodução da desigualdade social

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Publicado no site  https://www.justificando.com/2020/04/15/educacao-a-distancia-em-tempos-de-pandemia-e-a-reproducao-da-desigualdade-social/  A pandemia provocada pelo novo coronavirus – Covid-19 – que assola o mundo e impõe o isolamento social generalizado, fechando as pessoas em suas casas, está mantendo metade dos estudantes de todo o mundo longe das salas de aulas, em ambos hemisférios do globo terrestre.   A OMS – Organização Mundial da Saúde – já prenunciou a perda do semestre letivo. Os pais estão em polvorosa com a suspensão das aulas,  com os filhos em isolamento dentro de casa e com criatividade insuficiente para mantê-los calmos e ocupados. Alguns segmentos da sociedade começam a pressionar as autoridades escolares exigindo oferecimento de lições por meio das novas tecnologias de comunicação.   Aqui no Estado do Rio de Janeiro oferecer ou não oferecer educação a distância está na agenda do dia. Grande quantidade de pais exige-a. A Secre...

Educar para quê?

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Art.1º.  Todos os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum. Art. 6º. Todos os cidadãos são iguais aos olhos da Lei e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção   que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos. Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão - 1789 Passados mais de duzentos e trinta anos da promulgação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, a sociedade mundial ainda se encontra distante de garantir a liberdade e a igualdade de direitos a todos. No Brasil então nem se fala, a distância é enorme entre a cidadania plena e a de segunda classe. Pobres, negros, LGBT, indígenas, quilombolas, mulheres, portadores de necessidades especiais, imigrantes pobres e outras minorias continuam sendo tratados como cidadãos de segunda classe, isto é, continua a lhes ser negada a cidadania plena, são estigmatiza...