Um pontinha de tristeza
Há alguns anos atrás, mais precisamente no inicio de 2012, em um restaurante de Lisboa, conversava com um grande cientista da educação. Ele é português e ama as coisas do Brasil. Percebi em seus olhos que deixava transparecer uma pontinha de tristeza. Depois de conversarmos sobre música, poesia e literatura brasileira, procurei que a trouxesse à superfície. Rui Canário é o seu nome. E nem preciso dizer o tamanho da minha felicidade de estar ali com ele, conversando como grandes amigos. Aos poucos foi trazendo para fora o que o entristecia e tudo se circunscrevia à universidade, àquela que vinha sendo construída pelo Processo de Bolonha, com todas as exigências de torná-las produtoras e vendedoras de conhecimento. O problema, contudo, não era a produção ou venda de conhecimentos, mas o modo como os jovens professores aceitavam o enquadramento da universidade às exigências do capital. Faziam poucas objeções e, na maioria das vezes, se deixavam determinar pelo que vinha da Comissão...