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Mostrando postagens de dezembro, 2008

Gato por lebre? Por quê?

Muitos alunos continuam a receber bolsas do ProUni em instituições de ensino superior com a avaliação negativa no ENADE. Há muitas opiniões favoráveis a que o MEC imponha clásulas de barreira e impeça que tais instituições vendam "gato por lebre". Penso que reflexões açodadas pouco contribuem para resolver o problema, cujo equívoco inicial está na própria criação do ProUni, feito sob medida para salvar as IES privadas da falência com dinheiro público, tal como ocorreu em 1995 com o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional) feito para salvar instituições financeiras. O equívoco está objetivado e o Governo dificilmente voltará atrás, até porque não lhe interessa perder os votos e o apoio político que o ProUni significa. Sendo assim, a questão está em o que fazer? Proibir que as IES de baixa ou nenhuma qualidade recebam alunos? Nesta altura do campeonato não sei se vale a pena a promulgação de medidas drásticas; diversas pesquisas e estudos s...

Presente de Natal para o Rio de Janeiro

A edição do jornal O Dia online do 13/12/2008 nos dá uma notícia que é um autêntico presente de Natal para o Estado do Rio de Janeiro: A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO VAI CONSTRUIR 50 NOVOS COLÉGIOS para os alunos do ensino médio. Melhor ainda, oferecerão conforto e estrutura moderna, salas climatizadas, auditório multimídia, laboratórios, biblioteca e carteiras moduladas. Este presente significa o fim de 178 colégios compartilhados com a rede pública municipal e, sobretudo, aponta para a liquidação da vergonhosa transferência de recursos públicos para a iniciativa por meio das compras de vagas em escolas particulares. É verdade que não chega a ter o mesmo impacto que as construções dos CIEPs pelo ex-governador Leonel Brizola, que foi uma verdadeira bomba na detenção do avanço da iniciativa privada no ensino fundamental. Contudo, mesmo sendo de menor impacto, a concretização desta notícia é relevante e chega em boa hora. Para as unidades que estarão prontas em 2009 (Praça Seca, Senador Camará...

Secretária de Educação apóia meditação transcendental nas escolas públicas fluminenses

Chega a ser pitoresco o apoio da Secretaria Estadual de Educação ao projeto de estímulo à meditação transcendental nas escolas públicas do Rio de Janeiro. O argumento desenvolvido pelo cineasta David Lynch é que isto é bom para gerar sensações de paz para a comunidade, mas desde que a meditação seja feita por um coletivo de duas mil pessoas, pelo menos. Seria uma piada se não fosse sério a acolhida que a secretária Teresa Porto dá ao “maluquinho beleza” hollywoodiano. Com tanta coisa a ser feita pela melhoria da educação fluminense dar crédito a isso chega a ser uma atitude cínica e despudorada. Ou será que a Secretaria de Educação resolveu apelar para o misticismo face à sua própria incompetência de apoiar-se na experiência humana e na razão?

Brasil consegue melhorar o acesso, mas ainda deixa a desejar

Esta constatação está no Relatório de Olho nas Metas, encomendado pelo movimento Todos pela Educação e publicado em O Globo online, do dia 11 de dezembro. 90,4% das nossas crianças e jovens com idade de 4 a 17 anos estão matriculadas e frequentando as escolas; a meta fixada para 2022 é de 98%. A notícia é alvissareira, porém há perguntas que ainda precisam ser respondidas. As escolas estão preparadas para receber e manter este contingente de alunos, isto é, têm professores, carteiras, água, pátios adequados, merenda, material didático...? A sustenbilidade indispensável, a ser realizada pelas autoridades educacionais, será que também é parte do movimento Todos pela Educação? Uma coisa é entupir as escolas de alunos, transformando-as em autênticos depósitos de crianças e jovens; outra bem diferente é garantir o acesso e a permanência deles oferecendo-lhes condições propícias. Penso que isto deve ocorrer antes dos ataques ao professorado, afinal há muito as nossas escolas estão sucateadas...

Entrevista concedida ao jornal “Folha Dirigida”, a ser publicada na semana de 08 a 13 de dezembro de 2008

FD— O senhor diz que o currículo da secretária passa ao largo do campo da educação. Isto é um problema, na sua avaliação? Por que? ZG - Há algum tempo, principalmente os economistas vêm tratando das questões da educação, mas nunca do ponto de vista da educação. Eles têm procurado subordinar sua problemática à lógica do capital, aos modelos importados etc. Isto é um problema porque nunca se preocupam efetivamente com a educação das crianças e jovens no sentido da auto-formação deles, para que eles possam optar e construir o projeto societário que lhes convier. FD— Que impressão que o senhor passou a ter dela a partir de seu currículo? É o que a cidade do Rio precisa? ZG - O currículo que a futura Secretária tem é compatível com o de uma alta executiva que sempre teve uma formação de elite nos melhores colégios e universidades. Seu currículo, porém, demonstra estar longe do cotidiano educacional e revela completa auseência de conhecimento empírico da realidade carioca; tenho, por esta ra...