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Cazuza e a escola do medo: da crítica literária ao desafio atual

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Ontem publiquei na minha página do Facebook uma lembrança de leitura da infância: o livro Cazuza , de Viriato Correia, que devorei lá pelos doze, treze anos. A recepção dos amigos foi ótima, quase entusiasmada. Para quem não conhece, a obra conta a história de um menino do interior do Maranhão e sua trajetória pelas escolas do lugarejo natal, depois em uma vila maior e, por fim, em São Luís, a capital do estado. Li com o mesmo prazer que tive mais tarde com O Ateneu , de Raul Pompeia. Histórias passadas em ambientes escolares sempre me fascinaram — pena que sejam raras na literatura brasileira. Na época, ao ler Cazuza , eu não tinha condições de perceber a crítica embutida àquela escola autoritária, marcada pelo que Paulo Freire mais tarde chamaria de “pedagogia bancária”. Viriato Correia pinta com tintas fortes a figura do professor João Ricardo, que conduzia sua classe multisseriada com mão de ferro e palmatória em riste. A escola funcionava em dois turnos: pela manhã, crianças de se...

O Risco Neoliberal: Privatização das Escolas Públicas de Educação Básica do Paraná

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https://www.nbcnews.com/news/us-news/typhus-zone-rats-trash-infest-los-angeles-skid-row-fueling-n919856 O Estado do Paraná está em vias de concretizar um movimento de profundo impacto social e estrutural: a privatização da gestão de suas escolas de educação básica. Este processo não é isolado; ele se insere em uma lógica de mercado mais ampla que já tem pautado a gestão de estradas, hospitais e presídios no país. Ao seguir à risca a cartilha neoliberal de diminuição do Estado, o governo paranaense assume um risco já comprovado pela história recente: o de delegar um direito fundamental à esfera do lucro privado. A presente postagem examina as consequências dessa escolha, confrontando a promessa de eficiência com a realidade da precarização e do custo social de um estado mínimo. As empresas privatizantes vitoriosas nos editais emitidos pelo governo do Paraná, em primeiro lugar, garantirão os seus lucros, líquidos e certos, desde a assinatura dos contratos, com a contrapartida de oferecer...

A crise da educação brasileira tem responsáveis

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    Zacarias Gama [1] Dificuldades de um jovem professor e crise da educação brasileira. O que fazer? Por Zacarias Gama* Os jovens professores brasileiros nos seus primeiros anos de docência tendem a ser assombrados pela avaliação dos seus alunos, em especial nos seus primeiros anos de docência. Como avaliar corretamente? Como ser imparcial e justo? O que fazer? Qual teoria de avaliação colocar em prática?  Há jovens professores que buscam a ajuda de algum colega mais experiente ou que repetem as práticas de algum ex-professor que lhes servem de inspiração. Essas duas alternativas podem ajudar imediatamente, mas, regra geral, remetem a determinados padrões e tendências de avaliação, no mínimo discutíveis. Em comunicação na 26ª Reunião Anual da Anped (Gama, 2003), chamei a atenção para a existência de sólidos “padrões e tendências[1] recorrentes nos processos avaliativos escolares, que convivem uns com os outros sem se modificarem” e por causa da inexistência de um d...