Anotações sobre a crise da escola e a pedagogia do nosso tempo
Imagem gerada por IA Zacarias Gama [1] Recentemente escrevi dois textos, publicados neste blog, sobre a precariedade da educação pública brasileira, motivado pela constatação, nas redes sociais, de um analfabetismo que já não se limita à incapacidade de decifrar textos simples ou construir frases coerentes. Trata-se de um fenômeno mais amplo, que se expandiu para o campo da sensibilidade, da atenção e da interpretação do mundo social. É um analfabetismo ampliado, que opera menos pela ausência de informação e mais pela dificuldade de estabelecer mediações, compreender estruturas, sustentar a dúvida e tolerar a complexidade. Diante desse quadro, uma pergunta se impôs quase espontaneamente: quem está educando hoje o imaginário brasileiro — e por quais meios? A resposta que encontrei não veio da escola. Tampouco das universidades ou do campo intelectual organizado. O mundo acadêmico, embora produza conhecimento sofisticado sobre educação, cultura e sociedade, fala majoritaria...