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Mostrando postagens de janeiro, 2011

Plano de Metas da Educação do Rio de Janeiro: do economicismo ao cinismo

FOLHA DIRIGIDA, Edição de 11 a 17 de janeiro de 2011, CADERNO DE EDUCAÇÃO, pág. 4, Coluna Sem Censura Gaudêncio Frigotto, Zacarias Gama, Vânia da Motta, e Eveline Algebaile [1] Em entrevista ao Globo News, o Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Risolia, na sexta-feira, dia 07.01.2011, anunciou as cinco frentes de trabalho para a educação pública ao longo dos próximos quatro anos. Em extensa matéria, sob o título Choque na Educação, o jornal O Globo (08.10.2011, p. 14) detalha estas medidas. Confessamos que ficamos estarrecidos pelo caráter economicista e tecnocrático, e pela superficialidade das medidas propostas. As cinco frentes de trabalho apresentadas teriam como objetivo atacar as questões pedagógicas, o remanejamento de gastos, a rede física, o diagnóstico de problemas e os cuidados com os alunos. As medidas mais destacadas, porém, foram a implantação de um regime meritocrático para a seleção de gestores; a realização de avaliações periódicas; o...

Parceria público-privada na educação: a serviço da acumulação capitalista ou da sociedade?

Neste jornal, Folha Dirigida, em sua edição de 7 a 13 de dezembro, seção Opinião, na matéria escrita pela jornalista Ana Paula Pinto, as parcerias público-privadas (PPP) dividiram opiniões. De um lado posicionaram-se os neoconservadores mais ou menos empedernidos que defendem a positividade de tais parcerias, ainda que reivindicando a “participação dos parceiros na definição das propostas pedagógicas”, e alertando para as “várias evidências de degradação” existentes na rede de escolas públicas estaduais do Rio de Janeiro. Minha posição foi contrária a estes interesses, entre os quais os do atual Secretário de Educação, Wilson Risolia, porque argumento objetivamente que elas não podem “contribuir para a melhoria da qualidade da educação no setor” e, sobretudo, porque, concretamente “significam um saque nas verbas públicas para educação”. Esta discussão, entretanto, não é simples e tampouco pode ser abordada em sua superficialidade e em espaço tão restrito. "Há mais coisas entre o...

O velho discurso neoliberal de Sérgio Cabral em 2011

Enquanto a Presidente Dilma Rousseff aponta para um novo futuro da educação pública brasileira reconhecendo que “só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação”, o recém empossado Governador Sérgio Cabral insiste em seu discurso de posse que um regime de metas e mérito deverá situar o Rio de Janeiro entre os cinco melhores no ranking do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). É impressionante o conservadorismo neoliberal que o Governador transparece em seu discurso. Até os intelectuais orgânicos da Terceira Via criticam esta velha política neoliberal. Antony Giddens é claro a esse respeito, ao enfatizar que “o cultivo do potencial humano deveria na medida do possível substituir a redistribuição a priori”. Ele ainda adverte sobre os riscos da meritocracia, particularmente em seus efeitos imediatos de mobilidade descendente. A meritocracia cria imediatamente cria um movimento que situa uns no ...

Autoridades da educação

O discurso de posse da Presidente Dilma Rousseff aponta para um novo horizonte educacional, no qual a educação pública brasileira será encarada como problema a ser resolvido em curto prazo. Um grande destaque em sua fala no Congresso Nacional foi a sua coragem de situar os professores como as “autoridades da educação” ao dizer que “só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação” Reconhecer a autoridade educacional dos professores pode ter o efeito devastador de uma bomba atômica liquidando o avanço da nova burguesia educacional interessada na mercadorização da educação pública. A partir de sua fala os institutos, fundações, ONGs, Movimento Todos pela Educação e a parcela do empresariado que se constituíram como “autoridades” educacionais ao longo das últimas décadas, são recolocados em seus devidos lugares na condução das políticas educacionais. De fato, não são eles que podem definir os rumos da educação p...