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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Anotações sobre a crise da escola e a pedagogia do nosso tempo

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  Imagem gerada por IA Zacarias Gama [1] Recentemente escrevi dois textos, publicados neste blog, sobre a precariedade da educação pública brasileira, motivado pela constatação, nas redes sociais, de um analfabetismo que já não se limita à incapacidade de decifrar textos simples ou construir frases coerentes. Trata-se de um fenômeno mais amplo, que se expandiu para o campo da sensibilidade, da atenção e da interpretação do mundo social. É um analfabetismo ampliado, que opera menos pela ausência de informação e mais pela dificuldade de estabelecer mediações, compreender estruturas, sustentar a dúvida e tolerar a complexidade. Diante desse quadro, uma pergunta se impôs quase espontaneamente: quem está educando hoje o imaginário brasileiro — e por quais meios? A resposta que encontrei não veio da escola. Tampouco das universidades ou do campo intelectual organizado. O mundo acadêmico, embora produza conhecimento sofisticado sobre educação, cultura e sociedade, fala majoritaria...

Vitórias raras e um imaginário em disputa

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  Zacarias Gama Parabéns aos realizadores do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e de Melhor Ator (Wagner Moura). Uma façanha notável, que se soma ao sucesso de Ainda Estou Aqui, premiado com o Oscar de Melhor Atriz para Fernanda Torres. São momentos raros em que o cinema brasileiro rompe o isolamento simbólico e se impõe no circuito internacional. É justamente por isso que o feito impressiona — e preocupa. Tudo indica que essas conquistas não se repetirão com regularidade. O intervalo de vinte e oito anos entre as premiações de Central do Brasil (1998), Ainda Estou Aqui (2025) e O Agente Secreto (2026) não é casual: ele revela a ausência de um processo industrial contínuo de produção cinematográfica no Brasil, algo que existe de forma estruturada em Hollywood, Bollywood e Nollywood. Aqui, o sucesso ainda depende mais de exceções heroicas do que de política cultural consistente. Essa descontinuidade tem consequências profundas...

Quem está ensinando o Brasil a pensar — ou a reagir?

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   Zacarias Gama A aposentadoria tem dessas virtudes raras: ela devolve o tempo e, com ele, a possibilidade de observar o mundo sem a urgência do relógio. Foi num desses intervalos — entre um café e outro, navegando distraidamente pelas redes sociais — que me dei conta do tamanho do estrago. O analfabetismo, hoje, não se limita às letras. Nas redes sociais, sobretudo, ele se espalha como método, como linguagem, como forma de ver o mundo. E então a pergunta se impôs, quase sozinha: quem está educando o imaginário brasileiro? A resposta não veio dos livros, nem das universidades, tampouco das escolas. O mundo acadêmico fala, sobretudo, para seus pares; o campo intelectual anda fragmentado, defensivo, ressentido. A esquerda cultural, outrora capaz de produzir uma gramática comum, parece hoje balbuciar dialetos incomunicáveis. A escola pública, por sua vez, abandonada e sobrecarregada, faz o que pode — e quase sempre pode pouco. Isso não a torna neutra nem inocente: mesmo fragili...