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Por uma nova escola pública: conhecimento, democracia e emancipação no século XXI

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  Zacarias Gama ex-Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Problematizando A crise contemporânea da escola não é um acidente conjuntural nem o resultado da suposta decadência moral dos estudantes ou da incompetência dos professores. Trata-se, antes, de uma crise do modelo de escola , constituído entre os séculos XVIII e XIX como aparelho disciplinar, organizador das hierarquias sociais e difusor da racionalidade necessária ao capitalismo industrial. O que assistimos hoje é o esgotamento histórico dessa instituição diante de transformações profundas no modo de produção, na cultura, nas tecnologias e nas formas de sociabilidade juvenil. A análise crítica da escola tradicional — inaugurada por Althusser, Bourdieu, Passeron, Bowles & Gintis e aprofundada por autores como Giroux, Apple, Enguita, Saviani e Bernstein — demonstra que, embora reprodutiva, a escola é também um espaço contraditório, permeado de disputas, resistências e possibilidades de reinvenç...

Características sociológicas e culturais do bolsonarismo no Brasil contemporâneo

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O bolsonarismo que nega a ciência, acredita na terra plana, exalta o autoritarismo e sequer sabe distinguir democracia de ditadura é, em grande medida, um produto da educação brasileira. Negar isso seria ilusório. A própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB), ao priorizar a formação de uma força de trabalho massiva para empregos de salário mínimo, conduziu o Estado a um descaso sistemático com a formação crítica e cidadã. Assim, multiplicam-se os “assassinatos” cotidianos da língua, os raciocínios rasteiros, a incapacidade de reconhecer o regime democrático e de diferenciar o período ditatorial vivido entre 1964 e 1985. Basta observar as postagens nas redes sociais para constatar a indigência intelectual e argumentativa que assola o país. Às vezes, imagino como seria uma sátira de nossa educação escrita por um humorista ácido como Rabelais: Gargântua e Pantagruel navegando pelas grotescas aventuras do sistema educacional brasileiro. Desde os anos 1980, educadores e cientistas da educaçã...

Cazuza e a escola do medo: da crítica literária ao desafio atual

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Ontem publiquei na minha página do Facebook uma lembrança de leitura da infância: o livro Cazuza , de Viriato Correia, que devorei lá pelos doze, treze anos. A recepção dos amigos foi ótima, quase entusiasmada. Para quem não conhece, a obra conta a história de um menino do interior do Maranhão e sua trajetória pelas escolas do lugarejo natal, depois em uma vila maior e, por fim, em São Luís, a capital do estado. Li com o mesmo prazer que tive mais tarde com O Ateneu , de Raul Pompeia. Histórias passadas em ambientes escolares sempre me fascinaram — pena que sejam raras na literatura brasileira. Na época, ao ler Cazuza , eu não tinha condições de perceber a crítica embutida àquela escola autoritária, marcada pelo que Paulo Freire mais tarde chamaria de “pedagogia bancária”. Viriato Correia pinta com tintas fortes a figura do professor João Ricardo, que conduzia sua classe multisseriada com mão de ferro e palmatória em riste. A escola funcionava em dois turnos: pela manhã, crianças de se...