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Mostrando postagens de agosto, 2020

Quarenta anos depois da década perdida de 1980, compensamos os prejuízos?

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Zacarias Gama Os anos de 1980 foram de vitórias políticas que interromperam a ditadura militar que se abateu sobre o Brasil a partir de 1964 e culminaram com a promulgação da Constituição de 1988, chamada de Cidadã. Iniciou-se a partir dos últimos dias de governo do ditador General João Batista Figueiredo a Nova República e a redemocratização do país. O mesmo, todavia, não se pode dizer em relação à economia e à educação. A década de 1980 foi considerada como perdida: “das taxas de crescimento do PIB à aceleração da inflação, passando pela produção industrial, poder de compra dos salários, nível de emprego, balanço de pagamentos e inúmeros outros indicadores, o resultado do período é medíocre. No Brasil, a desaceleração representou uma queda vertiginosa nas médias históricas de crescimento dos cinquenta anos anteriores” ( Marangoni, 2012 ).  A inflação média ao longo da década foi superior a 230% ao ano, em consequência dos gastos públicos, elevação do endivida...

Uma reflexão possível a partir da obra “Crer e Destruir” de Christian Ingrao

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Zacarias Gama [1] Nestes tempos de bolsonarismo o livro de Christian Ingrao – Crer & Destruir, os intelectuais na máquina de guerra da SS nazista (Zahar, 2015) , é assaz aterrorizante como expressou o Wall Street Journal. Ingrao é ligado ao Centro Nacional de Pesquisa Científica e foi diretor do Instituto de História do Tempo Presente (IHTP), ambas instituições são francesas. Sua pesquisa para obter o grau de Doutor na Fundação para a Promoção da Ciência e Cultura, em Hamburgo, é importante, original e relata como oitenta jovens inteligentes e cultos, formados pelas melhores universidades alemãs se deixaram cooptar pela ideologia nazista e pela ideia de extermínio em massa. Ele reconstrói os trajetos de economistas, advogados, filósofos, geógrafos, historiadores e linguistas que escolheram o lado do mal.   Seus objetivos: “compreender em que medida as molduras da experiência vivida foram capazes de modelar seu sistema de representações” e “analisar o nazismo como u...

2020: o ano que não vai à escola

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A pandemia de Covid-19 está pressionando os sistemas públicos e particulares de educação a oferecer ensino remoto a distância. Mais de 28,6 milhões de estudantes da educação básica e 3,7 milhões da educação superior, em pesquisa realizada pelo Senado Federal passaram a ter aulas remotas ( Senadorense , agosto de 2002). Aparentemente são números estonteantes que devem agradar a muitos políticos que prezam pelas formas utilitaristas mais antidemocráticas, que Stuart Mills certamente reprovaria. Mas, se olhamos de outra perspectiva, a realidade é perversa, sobretudo, com os estudantes mais pobres: 59,7% dos estudantes da educação básica e 44% da educação superior estão excluídos. Grande quantidade afirma não ter internet em casa e apenas 24% usam PC para receber os conteúdos postados; a maioria usa celulares, mas a pesquisa deixa de especificar se são pré-pagos ou pós-pagos e o tamanho dos seus pacotes de dados.  Nesta mesma pesquisa chama a atenção a resposta expre...

Paulo Freire: para ler a palavra e o mundo.

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Caricatura do Kim - Disponível no site: https://kimcartunista.com.br/2014/01/09/paulo-freire/ Introdução  Paulo Regulus Neves Freire (1921-1997), era pernambucano da cidade do Recife. Nos anos duros da Ditadura Militar, por causa das suas ideias político-pedagógicas, trabalho em Angicos (RN), no Movimento de Cultura Popular (MCP) do Recife - do qual foi um dos fundadores – e no Programa Nacional de Alfabetização (PNA) do governo federal a partir de 1963, foi preso em 16 de junho de 1964. Respondeu a inquéritos na Universidade do Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco (UFPe), e no Quartel da 2ª Companhia de Guardas no Recife, sendo ainda intimado a depor em Inquérito Policial Militar na cidade do Rio de Janeiro.  Forçado a se exilar do Brasil, inicialmente foi para a Bolívia (outubro de 1964) e depois para o Chile (novembro de 1964), Estados Unidos (1969), Suíça (1970) e África a partir de 1975. Em seu exílio, como ele próprio disse, deixou de ter uma ...