13/08/2009 - Folha Dirigida Os desafios da EAD Por Paulo Chico Os números preliminares do AbraEAD 2008 (Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância) revelam que, em apenas dois anos, praticamente dobrou o número de alunos de graduação na EAD. Dos 397 mil matriculados em 2007, o Brasil saltou para 761 mil estudantes em cursos na modalidade no ano passado. Tal dado revela que, mais que simples moda, a tendência de crescimento veio para ficar. Por isso, também aumentam as preocupações com os rumos dessa evolução. Estará a quantidade devidamente acompanhada da qualidade? A avaliação do conhecimento adquirido pelos alunos ainda alimenta boa parte da dose de preconceito e desconfiança que pesa sobre a EAD. Um dos fundadores do Cederj, consórcio que reúne as universidades públicas do Rio na oferta de cursos semi-presenciais, o professor Zacarias Gama tem seu foco de ação voltado justamente para o processo de aferir o aprendizado. Na verdade, é avaliador de educação a d...
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Quem está ensinando o Brasil a pensar — ou a reagir?
Zacarias Gama A aposentadoria tem dessas virtudes raras: ela devolve o tempo e, com ele, a possibilidade de observar o mundo sem a urgência do relógio. Foi num desses intervalos — entre um café e outro, navegando distraidamente pelas redes sociais — que me dei conta do tamanho do estrago. O analfabetismo, hoje, não se limita às letras. Nas redes sociais, sobretudo, ele se espalha como método, como linguagem, como forma de ver o mundo. E então a pergunta se impôs, quase sozinha: quem está educando o imaginário brasileiro? A resposta não veio dos livros, nem das universidades, tampouco das escolas. O mundo acadêmico fala, sobretudo, para seus pares; o campo intelectual anda fragmentado, defensivo, ressentido. A esquerda cultural, outrora capaz de produzir uma gramática comum, parece hoje balbuciar dialetos incomunicáveis. A escola pública, por sua vez, abandonada e sobrecarregada, faz o que pode — e quase sempre pode pouco. Isso não a torna neutra nem inocente: mesmo fragili...
Racismo educacional e a condenação da nossa juventude
Zacarias Gama Nesta semana de Carnaval, escrevi um texto chamando a atenção para o racismo ambiental. Denunciei o racismo das autoridades governamentais – federais, estaduais e municipais – que menosprezam as áreas onde residem os mais vulneráveis — os pretos e pobres deste país. É chocante o abismo de atenção dispensada: por exemplo, enquanto na Zona Sul ou Sudoeste do Rio de Janeiro o rompimento de uma tubulação d’água é consertado de imediato, na Zona Norte o mesmo problema pode levar dias para ser corrigido. Essa gestão da escassez para uns e da eficiência para outros é a assinatura de um Estado racista. As reflexões que fiz sobre essa cidade segregada e partida levaram-me, naturalmente, ao meu campo de estudo mais amplo: o educacional. É aqui que precisamos nomear o fenômeno: o racismo educacional. Ele não se manifesta apenas na precariedade das escolas públicas, mas na estrutura normativa que nega aos estudantes pretos e pobres o acesso aos saberes univ...
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