Postagens

Precisamos falar sobre Paulo Freire

É impressionante como o bolsonarismo ataca a obra de Paulo Freire tentando incitar a todos, odiosamente, a ter repulsa desse pedagogo mundialmente reconhecido. Com certeza os bolsominions não o leram, exceto as mais idiotas postagens no Facebook e outras mídias.  O Paulo Freire, criado por essa gente, em nada fica a dever ao porquinho Bola de Neve - de Orwell - na obra Revolução dos Bichos. Bola de Neve foi a ameaça criada por aqueles que queriam manter a fazenda dominada por gigantescos e ferozes cães pastores. Freire, no entanto, não queria derrubar tronos ou altares. muito pelo contrário.   Freire só é melhor compreendido quando o situamos ao lado dos intelectuais do ISEB: Instituto Superior de Estudos Brasileiros. Para os isebianos ( Hélio Jaguaribe ,  Guerreiro Ramos ,  Cândido Mendes de Almeida , Álvaro Vieira Pinto e Nelson Werneck Sodré)  era necessário identificar e atacar as estruturas arcaicas produtoras e reprodutoras do atraso do país como ...

Que Deus proteja a educação nacional deste governo

O governo Bolsonaro se anuncia como tragédia educacional. E por várias razões. 1. O ministro da educação nacional é estrangeiro, comprometido com a bancada evangélica e oriundo de instituições de ensino superior mal avaliadas pela Capes. 2. O segundo escalão do MEC, nomeado pelo Ministro da Educação, além de nada entender de educação, em grande parte é seguidor do pseudo-filósofo Olavo de Carvalho, aquele que nega o heliocentrismo e outras teorias e leis já consolidadas mundialmente. 3. O Presidente da República, que todos chamamos de Bozo - por razões óbvias, maltrata os professores e os considera como subversivos por darem continuidade ao que chama de "marxismo cultural" e "ideologia de gênero". Na prática manteve o congelamento de investimentos em educação do governo anterior e permite ao super-ministro da economia, o sr. Paulo Guedes, meter as mãos nos recursos da educação para ajustar as contas nacionais. 4. Os governadores eleitos, entre eles o do estado d...

Escola Sem Partido: Prenúncio do fim das liberdades individuais?

O debate em torno do Projeto de Lei Nº 867, de 2015, de autoria do parlamentar Izalci Lucas (PSDB-DF), que altera substantivamente os artigos 2º e 3º da Lei de Diretrizes e Bases (Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996), é acalorado, intenso e profundo, mas ainda restrito aos meios educacionais. Se transformado em lei, as escolas brasileiras de educação básica se tornam escolas sem partido, isto é, neutras política, ideológica e religiosamente, sendo vedadas a veiculação de conteúdos que conflitem com as convicções familiares dos estudantes. Há quem já o adjetive, com razão, de projeto da mordaça escolar. À primeira vista, os seus defensores pretendem restringir as escolas à exclusiva tarefa de instruir, deixando às famílias a árdua tarefa de educar conforme os valores que prezam e às suas concepções de mundo. Querem, com muita limitação de visão educacional, que o ensino de determinadas competências e habilidades ocorra com absoluta neutralidade, como se a ciência fosse neutra e osseu...

O “mito” Bolsonaro e a proposta de EAD para crianças e jovens.

A proposta de Educação à Distância (EAD) até para a alfabetização de crianças da educação infantil e fundamental está longe de ser um ato tresloucado do candidato ex-capitão Jair Messias Bolsonaro. Supõe cobertura universal com baixo custo, além de diminuir a quantidade de defensores e propagadores da ideologia de gênero, das ideias evolucionistas de Darwin e reprodutores das ideias de igualdade, fraternidade e democracia.   A necessidade de merecer algumas reflexões é imperativa, a começar pelo fato de a eletricidade de qualidade e o sinal de banda larga estarem longe de ser universalizados no território brasileiro. Em muitas localidades a luz elétrica é precária: são muitos os picos e interrupções que liquidam os computadores, e o sinal de Internet é de desesperar os usuários, além de serem caros. Pretender, portanto, estender a EAD sem resolver a infraestrutura necessária é o primeiro sintoma de insanidade mental. O Brasil está próximo de universalizar a educação bás...

Cadê a Sociedade Educadora?

Desde sempre é difícil ser professor em qualquer nível ou modalidade de educação, nunca foi fácil. Sempre estivemos pressionados pelos saberes que os estudantes adquirem fora da escola. Nestes dias sombrios de ameaças físicas e simbólicas as nossas dificuldades aumentam e nos levam a muitas indagações, a começar por aquelas que nascem diante da massa de homens massa de ultradireita e esquerda que ameaça a nossa frágil democracia. A maioria passou por nossas classes escolares  e hoje nos ameaça com a escola sem partido, com a militarização das escolas, banimento de livros contrários às suas ideias e até nos agridem fisicamente. Trata-nos a todos como subversivos como se isto fosse verdade e nos acusam de querermos pintar de vermelho a nossa bandeira, transformar o Brasil numa nova Cuba ou Venezuela.    Vivemos tempos de uma irracionalidade cruel que sequer percebe a contradição das suas afirmações: sempre acusou a escola de ser reprodutora do modo de viver, pensar e ...

De onde nascem os fascistas

Tenho por hipótese que os fascistas de qualquer idade nascem de uma existência individual espiritualmente pobre, pouco importando se têm ou não alta escolaridade, pautada por experiências próprias que formam os seus juízos de valor. Um fascista não faz mediações tendo como objeto a realidade, quando muito faz meditações como se fosse um monge, descoladas da realidade concreta e que acabam por produzir uma outra realidade que não é verdadeira, é mistificada. Eles podem ter cursos de mestrado e doutorado, terem estudado nas melhores universidades, e não superarem a categoria de homens-massa. São homens e mulheres que não atuam por si mesmos; são dirigidos, influenciados e, com frequência, membros de clubes de serviços e organizações similares. Regra geral se dizem neutros e indiferentes à política e a todas as questões sociais, a despeito de serem mulheres e homens, jovens e velhos. É comum à maioria a grande dificuldade de refutar argumentos bem elaborados porque nunca se env...

Despenca a qualidade da educação pública ofertada no estado do Rio de Janeiro

A qualidade da educação fluminense ofertada nas escolas públicas de educação básica apurada pelo Índice da Educação Básica (Ideb) de 2018 vai de mal a pior. Na avaliação nacional realizada pelo MEC ela despencou obtendo tão somente 3.7 pontos de média, bem abaixo da meta estipulada (4.6). A tendência de melhoria que se desenhava entre outubro de 2010 e dezembro de 2014, quando era apenas melhor do que a educação oferecida no estado do Piauí (2,9) se esfumaçou no ar. E por quê? Há diversas razões que podem explicar tal desastre. Para o atual secretário de educação as causas foram provocadas pelas greves docentes que impuseram descontinuidade ao processo educativo e, consequentemente, os maus resultados. Tal razão, entretanto, não é suficiente. Para além da solução única que, claramente, faz recair sobre os docentes e discentes a responsabilidade pelo fracasso, há outras razões bem mais concretas. A primeira razão que emerge imediatamente é a crônica prática do ziguezague na hi...