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A Covid-19, a pandemia e a educação brasileira: mudanças à vista?
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Grandes eventos históricos foram determinantes para marcar o início das idades Média, Moderna e Contemporânea. A ruptura que impuseram levou à criação de novas civilizações. Todas as nossas atenções se voltam para eles desde quando somos ainda crianças de escola básica. Nem sempre, contudo, olhamos para eventos menores com os mesmos olhos e a mesma atenção. Sabemos, por exemplo, da importância da Revolução Industrial inglesa do século XVIII, mas pouco nos interessamos pelas transformações que imprimiu ao modo de viver e ser da contemporaneidade. Devemos ao êxodo rural inglês que provocou as primeiras ações de saneamento das cidades em consequência da superpopulação urbana e a escassez de produtos agrícolas que forçou a importação de proteína animal da Austrália e Nova Zelândia e o inevitável surgimento de navios frigoríficos. A partir da Revolução Francesa, para além da derrubada de tronos e altares, foram outras e melhores as relações entre os cidadãos, entre eles e o Estado e o r...
Qual pizza prefiro: assada em forno elétrico ou a lenha?
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Tem me chamado a atenção o modo como alguns países e cidades conseguem oferecer educação de qualidade com referência social para todos. E estou me referindo à Finlândia, Polônia e Sobral, aqui no Ceará. São três fórmulas diferentes, com alguma coisa em comum. Os elementos comuns das reformas que realizaram a partir dos anos 1980 - apuro da gestão escolar, qualificação do professorado, reformas curriculares etc. - são os mais aparentes, isto é, aqueles que podem ser identificados de imediato. As diferenças começam a ser identificadas quando investigamos os objetivos das reformas e nos perguntamos quais os seus objetivos últimos, que tipos de resultados a obter? Para mim a diferença básica é relativa aos processos. A Polônia e a cidade de Sobral fizeram as suas apostas e definiram métodos e estratégias racionais adequadas de curto prazo. Quando analiso as duas experiências sou remetido à cibernética usada pela NASA ou pela Agência Espacial Brasileira para colocar em órbita os seus arte...
Educação a distância em tempos de pandemia e a reprodução da desigualdade social
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A pandemia provocada pelo novo coronavirus – Covid-19 – que assola o mundo e impõe o isolamento social generalizado, fechando as pessoas em suas casas, está mantendo metade dos estudantes de todo o mundo longe das salas de aulas, em ambos hemisférios do globo terrestre. A OMS – Organização Mundial da Saúde – já prenunciou a perda do semestre letivo. Os pais estão em polvorosa com a suspensão das aulas, com os filhos em isolamento dentro de casa e com criatividade insuficiente para mantê-los calmos e ocupados. Alguns segmentos da sociedade começam a pressionar as autoridades escolares exigindo oferecimento de lições por meio das novas tecnologias de comunicação. Aqui no Estado do Rio de Janeiro oferecer ou não oferecer educação a distância está na agenda do dia. Grande quantidade de pais exige-a. A Secretaria de Educação – SEDUC – é favorável e exerce pressão sobre o professorado para o seu oferecimento. O Ministério Público, por sua vez, recomenda que a SEDUC suspenda a...
Como e quando sair desta?
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Tenho andado abatido e desalentado em consequência dos ataques que o campo da educação brasileira vem sofrendo desde a derrubada da Presidente Dilma Rousseff. Primeiro foi a PEC 241 que congelou os gastos com a educação durante vinte anos a contar de 2016, depois as trapalhadas daquele ministro da educação do golpista Michel Temer, o tal do "Mendoncinha". Ai foi eleito o tal do Jair Bolsonaro, um ex-capitão do Exército que parece nada ter aprendido em seus tempos de caserna e que nada entende de educação. O primeiro ministro que indicou, um tal de Ricardo Velez Rodrigues, serviu como aperitivo do que viria a seguir. O atual ministro, Abraham Weintraub, tem como objetivo destruir as instituições educacionais de todos os níveis e modalidades. Desde que assumiu fez cortes importantes que comprometem todas as metas do Plano Nacional de Educação (2014-2024) e colocam em risco o funcionamento de todas as universidades públicas. O que vivemos é um pesadelo. Seus maiores intentos sã...
O Capitão-Presidente, a instrução e a educação como meio de superação do homem egoísta.
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Muitas pessoas têm sido favoráveis ao projeto de lei que institui a Escola Sem Partido, mesmo que não levem em consideração os seus efeitos. Defendem que à escola cabe apenas instruir; a educação é de competência das famílias em conformidade com os seus valores. O debate transcorre no campo da abstração, opondo alunos idealmente instruídos a outros corrompidos pelas ideias disseminadas pelos “petralhas” favoráveis à igualdade de gênero, aborto, divórcio, emancipação feminina etc. Até então nenhum exemplo concreto de homem instruído poderia ser trazido ao proscênio das discussões. Mas, eis que o Capitão-Presidente passa a ocupar a boca da cena do grande teatro nacional, vestido em trajes simples, com uma sandália surrada e uma camisa não-oficial de time de futebol certamente comprada em algum camelô, como protótipo do homem instruído . Quando fala em público, os seus discursos são mais rápidos que o preparo de miojo e igualmente insossos; as entrevistas coletivas ou individu...
A violência escolar tem coisas importantes a nos dizer
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Zacarias Gama [1] Em menos de uma quinzena, a sociedade brasileira assistiu boquiaberta a dois graves atos de indisciplina em salas de aula. Em uma escola pública da cidade de Carapicuíba - SP, estudantes de uma turma hostilizaram uma professora arremessando-lhe livros e vandalizaram a sala de aula quebrando carteiras [2] . Na escola particular da próspera cidade de Simões Filho, no interior da Bahia, alguns estudantes humilharam um professor veterano e o chamaram de fedorento, como se pode ver na gravação que os próprios fizeram [3] Nas redes sociais, nem é preciso dizer, ambos os casos adquirem grande proporção e suscitam as mais diversas reações e opiniões. É grande a facilidade de adjetivar os estudantes como grosseiros, animais selvagens, vermes e filhos de lares desestruturados, ao que se segue o desejo de os ver mofar na Fundação Casa. A generalização acaba por incluir a todos no mesmo saco, como se não houvesse algum estudante de boa índole, estudioso e incapaz de atos...