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A educação brasileira é pobre, nossas leis são pobres

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Muita gente tem a educação como remédio para todos os males sociais. Quando alguma coisa deixa de funcionar bem, há sempre quem deposite nela toda responsabilidade como se fosse a única agência educativa.   Há ainda quem atribua à baixa ou má educação do povo brasileiro a nossa dependência econômica, a vandalização de monumentos públicos, as más escolhas eleitorais etc. como se não houvesse diversas outras determinações, incluindo aquelas contidas em nossa legislação educacional. E esta esta questão tem sido ainda pouca estudada ou falada. Aqui entre nós, predomina a subordinação da educação pelo mercado a qual exige que o estudante de educação básica seja qualificado para o trabalho e que sua formação para o exercício da cidadania possa ocorrer sem o concurso das disciplinas de história, sociologia e filosofia.  Um dos que aportam fundamentos teóricos ao grupo de pessoas que atrela o nosso desenvolvimento aos níveis educacionais de nossa gente foi o ganhador do prêmio No...

Professores eficientes ou Professores eficazes, qual a sua escolha?

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Quem é ou já foi estudante sabe bem os tipos de professores que tem ou teve, e estes tipos são vários: engraçados, carrancudos, dóceis e grosseiros, firmes e inseguros e muitos outros. Aqui agora quero falar de dois tipos presentes em todas as escolas, os professores eficientes e os eficazes, embora muitas vezes os adjetivos sejam tomados como sinônimos. Alguns dicionários online praticamente não os distinguem; só os mais confiáveis o fazem, como por exemplo do Dicionário Caldas Aulete.   Neste dicionário, eficiente é definido assim: 1.   Que realiza bem tarefa, trabalho etc., obtendo bons resultados com um mínimo de dispêndio (tempo, recursos, energia etc.), ou dentro dos padrões aceitáveis 2.   Que dispõe de qualidades, recursos, equipamento etc. para realizar certa tarefa ou obter certo resultado em boas condições (com um mínimo de erro, dispêndio, risco etc.) 3.   Que, em geral, desempenha suas funções com produtividade e dentro dos padrões e normas exigidos...

A educação brasileira em risco

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Há algum tempo publiquei um texto chamando a atenção para o que nos espera em futuro próximo se continuamos a oferecer ensino de baixa qualidade. O efeito natural será a existência de profissionais de baixa qualidade em praticamente todos os campos de conhecimento. Já estamos sentindo na carne os efeitos deste oferecimento. Basta que vejamos a qualidade de grande quantidade dos nossos professores, advogados, engenheiros, militares... Na década de 1980 os EUA se deram conta do risco que corriam com o oferecimento de formação humana precária. O relatório " A nation at risk ", preparado pela National Commission on Excellence in Education escancarava a fragilidade da educação americana face às exigências provenientes de sua liderança mundial e a necessidade urgente de reformas de seu sistema de sistema, de todos os níveis e modalidades. Nem a Califórnia oferecia um ensino de qualidade capaz de competir com outras nações. Já passa da hora de se produzir um relatório semelhante te...

Escolas militarizadas é o que queremos?

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  A ordem unida que se tornou viral na internet Zacarias Gama Vazou e viralizou o primeiro vídeo que registra o que se passa no pátio da Escola Cívico-Militar General Abreu, na cidade do Rio de Janeiro. À frente do alunado, organizado em ordem unida, um militar conduzia os estudantes a repetir, aos gritos: “Muitos querem, mas não podem / Nós queremos e podemos / Nós somos nós e o resto é o resto / Brasil acima de tudo, abaixo de Deus” . A viralização foi imediata — assim como os abalos que produziu na sociedade. Até então, as escolas militarizadas eram, para muitos, fenômenos distantes, supostamente inspirados no modelo consolidado dos colégios militares mantidos pelo Exército, pela Aeronáutica e pela Marinha. As escolas militarizadas como a General Abreu, entretanto, são administradas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros. Caracterizam-se por rígida disciplina castrense, padronização visual, ensino formalizado de civismo e recorrentes práticas de ordem unida. Estudos publ...

A hora e a vez dos coletivos de luta: um novo Brasil é possível

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  Zacarias Gama O filósofo chileno, Wladimir Safatle, professor titular da Universidade de São Paulo, no artigo “Uma revolução molecular assombra a América Latina”, publicado no jornal El País, na edição de 19 de maio de 2021, apresenta-nos a síntese das mediações que construiu a partir de uma visão de totalidade do que ele chama de “insurreições não centralizadas em uma linha de comando” e que adjetiva de “revolução molecular”. Tais insurreições, em sua perspectiva, tanto podem criar situações de explosão social quanto de “sublevações que operam transversalmente, colocando em questão, de forma não hierárquica, todos os níveis das estruturas de reprodução da vida social”. A chamada Primavera Árabe, como afirma, marcou o início desta revolução molecular, à qual se somam outros eventos igualmente importantes: Occupy, Plaza del Sol, Istambul, Brasil, Gillets Jaunes, Tel-Aviv, Santiago. Para Safatle são “sublevações múltiplas, que ocorrem ao mesmo tempo, que recusam centralismo e que a...

Professores e estudantes jogaram pedra na Cruz? Que morram de Covid-19!

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  Zacarias Gama   Tenho para mim que professores e estudantes jogaram pedra na Cruz, tanto eles sofrem neste país. Os primeiros são alvos constantes do descrédito e dos maltratos que a sociedade lhes dispensa. Já não bastasse o pouco reconhecimento social, os baixos salários, as péssimas condições de trabalho em grande parte das escolas e a constante proletarização, agora, em plena pandemia de Covid-19 que ceifou a vida de mais de 380 mil brasileiros, exige-se que exerçam os seus ofícios de forma presencial e diária. As crianças e jovens que infernizaram a vida dos pais em processos de homeschooling parecem também ser acusados de cometerem o mesmo crime. O Projeto de Lei (PL 5595-2020), aprovado na Câmara dos Deputados em 20/04/2021, apresentado pelas deputadas Paula Belmonte (Cidadania/SP), Adriana Ventura (Novo/SP), Aline Sleutjes (PSL/PR), e deputado General Peternelli (PSL/SP) e relatado pela deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), abre caminho para a contaminação e m...

Qualidade da educação pública e luta de classe

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  A qualidade da educação em nossas escolas públicas, nas quais estão matriculados 47,3 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos em 179,5 mil escolas, está longe de atingir a qualidade socialmente referenciada que queremos. No PISA de 2018, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da Escola Básica, aplicado em países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), constata-se que nossos estudantes sequer conseguem atingir a média dos seus colegas de outros países em leitura, matemática e ciências. Só 2% alcançam os mais altos níveis (Nível 5 e 6). Este desastre, porém, não constitui novidade para os cientistas da educação. A literatura com excelentes diagnósticos sobre os problemas da educação brasileira é farta. Praticamente todos os problemas foram examinados à exaustão. É uma pena, porém, que grande parte são abordados como objetos em si, hipostasiados, sem apreendê-los como “rica totalidade com múltiplas determinações e relações” ( Mar...