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O que a Inteligência Artificial fala de mim.

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  Aposentei-me, ou como dizem em Portugal: reformei-me. Foram ininterruptos 46 anos em sala de aula, da educação básica à educação superior em escolas particulares e públicas da cidade do Rio de Janeiro. Percorri quase todo o território brasileiro dando palestras e ministrando aulas em cursos de pós-graduação lato-senso. Considerando as minhas viagens docentes e turísticas somente não estive nos estados de Rondônia, Roraima, Amazonas, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Tocantins. Ou seja dos 27 estados brasileiros deixei de conhecer estes 09; uma façanha considerando o tamanho do Brasil.  No meu concurso para Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro apresentai extenso memorial à banca que me avaliou, mas, confesso, a melhor síntese da minha trajetória foi feita pelo aplicativo COPILOT, a Inteligência Artificial criada pela Microsoft. Cheguei a ficar surpreso. Eis o que a IA fala de mim, sobre mim Zacarias Jaegger Gama é um renomado educad...

O Vírus Pós-Moderno: A Ideologia que Esvaziou a Crítica e a Prática Progressista

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  Vivemos um paradoxo político e ideológico na América Latina. Historicamente, os movimentos de  esquerda  se estabeleceram em oposição ferrenha ao ideário neoliberal. Essa divergência, consolidada por um vasto aparato intelectual, deveria servir como barreira inegociável contra a lógica do mercado. No entanto, o que observamos é a emergência de uma dissociação preocupante: o distanciamento entre a crítica formulada e a prática adotada. Este artigo explora como o pós-modernismo, agindo como a ideologia do neoliberalismo, infiltrou-se em esferas cruciais como a educação e as artes, esvaziando o potencial transformador dessas áreas e corroendo a resistência progressista.A rigor, a esquerda latino-americana sempre se colocou de forma radicalmente contrária ao neoliberalismo. A produção acadêmica dos anos 1990 em diante é prova disso: um vasto esforço intelectual de combate ao liberalismo e às suas múltiplas variações vindas de diferentes partes do mundo. No entanto...

Uma cruzada nacional de amor contra o bolsonarismo e o obscurantismo educacional.

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  O Colégio Eleitoral brasileiro tem um número de eleitores (156.454.011) maior que a população de países como a França, Inglaterra, Espanha, Alemanha e muitos outros. Os números dos nossos indicadores, quase sem exceção, não apenas mostram a grandiosidade do Brasil, mas coloca os habitantes daqueles países no modo perplexidade. E, de fato, não é para menos. Nesta eleição, os eleitores do Presidente Lula (60.345.999) equivalem a toda a população da Itália. Os de seu concorrente, somaram mais de 58 milhões. Em termos quantitativos é este o quadro que se desenhou neste segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Contudo, o que preocupa a todos, com um mínimo de sensatez, é a qualidade dos 58 milhões de votos que definem o bolsonarismo. Eles avalizam a morte de milhares de vítimas por incúria e perversidade do governante, as queimadas e destruição dos grandes biomas brasileiros, a redução antipática e inumana das políticas sociais, a volta avassaladora da fome, a liquidação d...

Avaliação da Aprendizagem e Reprodução da Elite

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  Foto de Zacarias Gama Quem é professor sabe as dificuldades de avaliar os alunos, em especial por causa da necessidade de aprovar e reprovar. Já convivi com muitos colegas que entram em crise todo final de ano. Há quem perca peso, fique uma pilha de nervos e passe noites em claro. De fato, não é fácil. A cultura avaliativa que separa o joio do trigo é muito forte e está entre as razões de tantas dificuldades. Esta cultura procura distinguir, nos dizeres de  Charles Wright Mills (1975) , o grupo de crianças e jovens que poderá ter o máximo que se pode ter, bem como acesso aos modos de vida inacessíveis à massa de homens e mulheres comuns; pouco importa que sejam ricas ou pobres, que tenham altas posições ou não - são candidatos à elite por serem como são. De um ponto de vista moral acredita-se no ambiente escolar que constituem uma elite pelo simples fato de seus desempenhos acadêmicos serem mais elevados e serem possuidores de melhor caráter e energia sup...

A universidade está se liquefazendo - queda de financiamento, expansão privada e impactos sobre a qualidade acadêmica

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Publicado na minha coluna no  Brasil 247 https://www.brasil247.com/blog/a-universidade-esta-se-liquefazendo-vamos-abrir-os-olhos As aulas presenciais nas universidades estão de volta depois de pelo menos cinco semestres de ensino remoto e de levar o professorado a entrar no mundo digital a toque de caixa, a despeito do pequeno apoio financeiro e tecnológico oferecido pelo Estado. Cada professor em seu isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19 teve de se virar com os seus aparelhos eletrônicos da forma que pôde. E houve de tudo, desde quem tivesse usado as teclas ctrl+alt+del pela primeira vez, até quem tivesse se achado um grande influenciador digital ou um George Lucas criando efeitos mirabolantes para as suas aulas. O fato é que o aprendizado de todos foi grande, muito embora se possa afirmar que a entrada da Universidade, em sua completude, no mundo digital tenha sido postergada. Ela se fixou no ensino remoto e demonstrou a sua inaptidão, má vontade ou incapacidade de ...

Educar é amar as nossas crianças e jovens e impedir que sejam expulsos do nosso mundo.

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  É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança, diz um ditado cheio de sabedoria corrente na África. Sábio por quê? Porque concebe a educação de alguém, quem quer que seja, como um processo coletivo, inclusivo e multidisciplinar; porque atribui a responsabilidade de educar as crianças e jovens a todos os membros da aldeia de modo a que cada um ensine o que sabe.   O sucesso ou o insucesso educacional é de responsabilidade coletiva. Nós, os urbanos, ao contrário, somente nos responsabilizamos pela educação dos nossos filhos, mesmo assim se não vivemos em situação de vulnerabilidade social. No Brasil de hoje, grande quantidade de crianças e jovens vivem nesta situação e têm os seus processos educativos prejudicados. E isto não é de hoje. Desde o período colonial tem sido assim. As crianças, com as suas relações familiares ou comunitárias esgarçadas, passam a viver amizades e parcerias instáveis e inseguras nas ruas, em absurdas situações de pobreza e isolamento social...

Transformando Pessoas, Criando novas Ideias.

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Estou tendo uma experiência ótima com os meus estudantes remotos das Licenciaturas da UERJ. Propus um curso comparativo de Políticas de Educação para que superassem os limites internos. Toda legislação brasileira de educação é comparada com as leis da Finlândia, México, França, Estados Unidos, Bolívia e Argentina. A percepção deles, quase que imediata, é que toda orientação brasileira se volta para a qualificação dos estudantes conforme as necessidades do mercado de trabalho. Daí o grande desprezo pelas disciplinas- História, Filosofia, Sociologia e Geografia - que a elite do atraso considera um luxo dispendioso e desnecessário. Em sua lógica formativa não vale a pena gastar com disciplinas que qualificariam para o trabalho improdutivo como se não fosse intrínseco ao modo de produção capitalista. Outra percepção é a pobreza das nossas leis que sequer admitem a nossa diversidade racial e linguística. São leis de brancos para brancos com um olhar mínimo para os povos originais e quilombo...