A Dialética do Olhar ou como curtir uma foto
Observei atentamente como as pessoas olharam as fotografias que publiquei no Vol. 3 dos Artistas Unidos (Galeria Zagut, 2025, com curadoria de Isabela Simões e Augusto Herkenhoff). Poucas se detiveram em um pequeno momento de fruição; a maioria olhou como quem está à janela de um trem de alta velocidade: captando a paisagem, mas incapaz de contemplar o campo, as montanhas ou os vilarejos ao longe. Outras portaram-se como se estivessem diante de um painel publicitário qualquer. Em todas, percebia-se um distanciamento típico de quem não quer se deixar envolver ou transparecer emoção. Poderiam estar diante de uma coleção de fotos de um descarrilamento com várias vítimas, mas o olhar delas não seria diferente do de quem contempla um gol num jogo de garçons, no Aterro do Flamengo, às três da madrugada. Talvez essas pessoas não saibam mais 'ver' uma foto, perdidas em olhares blasé e modos de ver saturados por uma sociedade imagética que consome tudo, mas não absorve nada. É o q...