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A educação brasileira em risco

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Há algum tempo publiquei um texto chamando a atenção para o que nos espera em futuro próximo se continuamos a oferecer ensino de baixa qualidade. O efeito natural será a existência de profissionais de baixa qualidade em praticamente todos os campos de conhecimento. Já estamos sentindo na carne os efeitos deste oferecimento. Basta que vejamos a qualidade de grande quantidade dos nossos professores, advogados, engenheiros, militares... Na década de 1980 os EUA se deram conta do risco que corriam com o oferecimento de formação humana precária. O relatório " A nation at risk ", preparado pela National Commission on Excellence in Education escancarava a fragilidade da educação americana face às exigências provenientes de sua liderança mundial e a necessidade urgente de reformas de seu sistema de sistema, de todos os níveis e modalidades. Nem a Califórnia oferecia um ensino de qualidade capaz de competir com outras nações. Já passa da hora de se produzir um relatório semelhante te...

Escolas militarizadas é o que queremos?

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  A ordem unida que se tornou viral na internet Zacarias Gama Vazou e viralizou o primeiro vídeo que registra o que se passa no pátio da Escola Cívico-Militar General Abreu, na cidade do Rio de Janeiro. À frente do alunado, organizado em ordem unida, um militar conduzia os estudantes a repetir, aos gritos: “Muitos querem, mas não podem / Nós queremos e podemos / Nós somos nós e o resto é o resto / Brasil acima de tudo, abaixo de Deus” . A viralização foi imediata — assim como os abalos que produziu na sociedade. Até então, as escolas militarizadas eram, para muitos, fenômenos distantes, supostamente inspirados no modelo consolidado dos colégios militares mantidos pelo Exército, pela Aeronáutica e pela Marinha. As escolas militarizadas como a General Abreu, entretanto, são administradas pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros. Caracterizam-se por rígida disciplina castrense, padronização visual, ensino formalizado de civismo e recorrentes práticas de ordem unida. Estudos publ...

A hora e a vez dos coletivos de luta: um novo Brasil é possível

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  Zacarias Gama O filósofo chileno, Wladimir Safatle, professor titular da Universidade de São Paulo, no artigo “Uma revolução molecular assombra a América Latina”, publicado no jornal El País, na edição de 19 de maio de 2021, apresenta-nos a síntese das mediações que construiu a partir de uma visão de totalidade do que ele chama de “insurreições não centralizadas em uma linha de comando” e que adjetiva de “revolução molecular”. Tais insurreições, em sua perspectiva, tanto podem criar situações de explosão social quanto de “sublevações que operam transversalmente, colocando em questão, de forma não hierárquica, todos os níveis das estruturas de reprodução da vida social”. A chamada Primavera Árabe, como afirma, marcou o início desta revolução molecular, à qual se somam outros eventos igualmente importantes: Occupy, Plaza del Sol, Istambul, Brasil, Gillets Jaunes, Tel-Aviv, Santiago. Para Safatle são “sublevações múltiplas, que ocorrem ao mesmo tempo, que recusam centralismo e que a...

Professores e estudantes jogaram pedra na Cruz? Que morram de Covid-19!

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  Zacarias Gama   Tenho para mim que professores e estudantes jogaram pedra na Cruz, tanto eles sofrem neste país. Os primeiros são alvos constantes do descrédito e dos maltratos que a sociedade lhes dispensa. Já não bastasse o pouco reconhecimento social, os baixos salários, as péssimas condições de trabalho em grande parte das escolas e a constante proletarização, agora, em plena pandemia de Covid-19 que ceifou a vida de mais de 380 mil brasileiros, exige-se que exerçam os seus ofícios de forma presencial e diária. As crianças e jovens que infernizaram a vida dos pais em processos de homeschooling parecem também ser acusados de cometerem o mesmo crime. O Projeto de Lei (PL 5595-2020), aprovado na Câmara dos Deputados em 20/04/2021, apresentado pelas deputadas Paula Belmonte (Cidadania/SP), Adriana Ventura (Novo/SP), Aline Sleutjes (PSL/PR), e deputado General Peternelli (PSL/SP) e relatado pela deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), abre caminho para a contaminação e m...

Qualidade da educação pública e luta de classe

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  A qualidade da educação em nossas escolas públicas, nas quais estão matriculados 47,3 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos em 179,5 mil escolas, está longe de atingir a qualidade socialmente referenciada que queremos. No PISA de 2018, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da Escola Básica, aplicado em países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), constata-se que nossos estudantes sequer conseguem atingir a média dos seus colegas de outros países em leitura, matemática e ciências. Só 2% alcançam os mais altos níveis (Nível 5 e 6). Este desastre, porém, não constitui novidade para os cientistas da educação. A literatura com excelentes diagnósticos sobre os problemas da educação brasileira é farta. Praticamente todos os problemas foram examinados à exaustão. É uma pena, porém, que grande parte são abordados como objetos em si, hipostasiados, sem apreendê-los como “rica totalidade com múltiplas determinações e relações” ( Mar...

Pais que expõem os filhos à contaminação pelo coronavírus. Que pais são estes?

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Em 2019 o debate sobre o "homeschooling" foi intenso. Mesmo quem não tinha filhos defendeu o direito de os pais educarem, eles próprios, os seus filhos em casa. Este debate veio na onda do Escola Sem Partido, um projeto saído de mentes conservadoras, retrógradas, machistas e misóginas que criticava o "marxismo cultural" hegemônico nas escolas brasileiras e visava proteger as crianças e jovens da ideologização feita pelos professores, como se todos fossem marxistas, comunistas... Foi uma coisa de louco. De repente surgiram "especialistas" em educação doméstica e proliferaram os exemplos de sucesso vindos dos Estados Unidos. Eu mesmo participei da Comissão Julgadora de Mestrado, para o meu desgosto, na qual o mestrando escreveu um panegírico com o maior entusiasmo possível. A despeito das minhas críticas, a dissertação foi aprovada mais por seu aspecto formal do que pelo seu discutível conteúdo.  Mas aí, chegou a pandemia de Covid-19, o isolamento social e a...

A face mais perversa da Escola

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  SR. GARCÍA Zacarias Gama [1]   A sociedade brasileira tem algumas características interessantes. Uma delas é tratar as coisas pelas suas aparências mais exteriores. A escola, por exemplo, de tão presente em nossas vidas desde muito cedo penetra em nossas consciências e nos marca pela regularidade, imediatismo e evidência e nos referimos a ela a partir de boas ou más vivências, lembranças etc. Definimo-la pelos seus aspectos mais externos e tangíveis. Formamos dela uma compreensão muito limitada, difusa e incoerente por ser imediata e superficial. Isto, entretanto não quer dizer que todos temos a mesma compreensão, ela varia de grupo para grupo, lugar e tempo. O senso comum nunca é unitário. Professores, estudantes, autoridades, empresários e políticos têm diferentes compreensões dela. Para os primeiros pode ser lugar de trabalho, realizações e decepções; para os estudantes, local de encontros, socialização, coleguismo e também de sacrifícios e sucesso. As autoridades, po...