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Por uma Educação Antifascista Já

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  Imagem gerada por IA Zacarias Gama É comum depositarmos muita esperança na educação como antídoto para todos os males. Para muitos, se os brasileiros fossem bem educados, o país estaria em outra posição no conjunto das nações. Concordo que, em parte, estaríamos. De fato, a má qualidade da educação nos aprisiona em um círculo vicioso economicamente perverso: educação precária, baixos salários e baixa competitividade. Romper esse círculo exige, necessariamente, uma educação pública de qualidade. Mas é preciso não atribuir à educação poderes que ela, sozinha, não possui. Uma educação de qualidade pode ampliar horizontes, desenvolver capacidades e criar melhores condições de vida, mas não nos livra automaticamente de entendimento político rasteiro, do machismo, da misoginia, da homofobia e de  formas de autoritarismo e intolerância. A história, aliás, oferece exemplos suficientes de sociedades altamente escolarizadas que não estiveram imunes à barbárie. Muitos dos oficiais da SS...

Da Sociologia da Evasão à Governança da Educação: o Silêncio das Instituições sobre a Evasão de 64 Milhões de Estudantes.

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  Ilustração gerada por IA - ChatGPT Sessenta e quatro milhões de brasileiros excluídos da educação básica Neste texto pretendo discutir os resultados de um relatório recente, divulgado em 7 de julho deste ano (2026) pela Rede EJA e Inclusão Produtiva, uma coalizão formada por 16 entidades da sociedade civil e organismos multilaterais. O documento População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas - Relatório Nacional , revela que mais de um terço da população brasileira não concluiu a educação básica. Dos aproximadamente 64 milhões de brasileiros nessa situação, 44,7 milhões não finalizaram o ensino fundamental, enquanto 19,3 milhões não concluíram o ensino médio. Segundo esse relatório, a pobreza, a precariedade das condições de trabalho e as disparidades sociais e territoriais constituem os principais fatores explicativos desse quadro. A análise por raça/cor demonstra que pretos e pardos rep...

Inteligência Artificial, Capitalismo e a Construção das Subjetividades na Era Digital: Um Estudo de Caso com Olhar Crítico Marxista

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  Zacarias Gama   Resumo Este texto, que toma a IA Gemini como estudo de caso, analisa a emergência e o desenvolvimento das inteligências artificiais (IAs) a partir de uma perspectiva marxista, enfocando sua relação com as forças produtivas, as relações sociais e as contradições do capitalismo contemporâneo. Discute também as implicações ideológicas e os vieses embutidos nessa tecnologia, evidenciando a ausência de neutralidade e os potenciais riscos da sua apropriação acrítica. A construção da subjetividade das gerações imersas desde o nascimento em ambientes digitais é explorada, assim como os limites epistemológicos e éticos desta IA. O trabalho destaca a necessidade de uma vigilância crítica rigorosa para evitar a reprodução das desigualdades e a alienação facilitada por  tecnologias similares. Por fim, argumenta que o rigor conceitual e o controle humano são indispensáveis para garantir que uma IA possa ser ferramenta emancipadora e não instrumento de dominaç...

Estação do Metrô: Ascenção Mecânica

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  Este ensaio fotográfico constrói uma reflexão visual poderosa sobre deslocamento urbano, anonimato e monumentalidade arquitetônica. As imagens, realizadas em preto e branco, utilizam a geometria rígida das escadas rolantes e da estação para transformar um espaço cotidiano em algo quase metafísico, onde os indivíduos aparecem reduzidos diante da escala da estrutura. Há uma clara preocupação em explorar linhas de fuga, profundidade e simetria, elementos que organizam a composição de maneira extremamente consistente entre os três quadros. Do ponto de vista técnico, o trabalho demonstra excelente domínio composicional. A primeira imagem é a mais minimalista e talvez a mais forte do conjunto: a centralização da escada rolante cria um eixo vertical rigoroso, conduzindo o olhar diretamente ao personagem isolado que sobe. As linhas paralelas das escadas e corrimãos funcionam como vetores visuais que comprimem o espaço e reforçam a sensação de percurso infinito. O contraste está muito b...

O Trabalho Alienante como Virtude: A Elite Brasileira e a Captura da Infância

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  Pastoral da Criança  Zacarias Gama O posicionamento do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), em defesa do trabalho infantil reacendeu o debate público sobre o tema. Muitos se chocaram ao ouvi-lo afirmar, explicitamente, que crianças e adolescentes deveriam trabalhar desde cedo; segundo ele, foi aos 14 anos de idade que iniciou sua trajetória como trabalhador ao lado do avô. Entretanto, causa ainda mais espanto a quantidade de pessoas que passaram a defender publicamente tal perspectiva, naturalizando uma prática historicamente associada à precarização da infância, à evasão escolar e à perpetuação das desigualdades sociais. O Brasil, convém recordar, aprovou em 1990 o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que traduz a Doutrina da Proteção Integral e estabelece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento. Esse marco civilizatório criminalizou o emprego de menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz a ...

O Prestígio da Ostentação e o Desprezo por Quem Produz: O Grande Nó Civilizatório Brasileiro.

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      Zacarias Gama A Questão: Consumo x Trabalho Há poucos dias, publiquei um texto no Facebook em que delineava minha posição sobre o abismo que separa uma economia de consumo — como a nossa — de uma economia que efetivamente valoriza o trabalho, a exemplo do que se observa em nações como Japão e Alemanha. Afirmei, com convicção, que seríamos substancialmente mais felizes se o eixo da nossa estrutura social se deslocasse para o trabalho e, consequentemente, para o trabalhador: o verdadeiro produtor de valor. Essa afirmação gerou reações distintas; entre o apoio de uns e a perplexidade de outros. No entanto, mantenho que a felicidade coletiva é incompatível com uma sociedade cujas engrenagens giram primordialmente para alimentar o fetichismo da mercadoria. Quando os "holofotes" sociais são direcionados exclusivamente aos grandes consumidores — àqueles que ostentam frotas de carros, marcas de luxo, jatinhos e o "descanso" em refúgios paradisíacos —, o que se faz, ...

Professor bem Qualificado e Motivado x Algorítmos: quem deve prevalecer?

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IA Copilot (professor vs algoritmos na educação)    Zacarias Gama Resumo: Este texto discute se as telas podem ou não substituir o professor em sala de aula a partir de fragmentos de um programa de TV. Ele conclui ser vital a existência de um professor bem formado com salários competitivos como agente de mediação entre estudantes e tecnologias.  Introdução Navegando a esmo pela minha bolha no Facebook, deparei-me com um fragmento do programa #DRcomDemori , da TV Brasil, no qual o escritor Marcos Piangers comenta pesquisas que reafirmam o professor como a peça mais fundamental da educação. Piangers destaca a urgência de investir na formação dos profissionais que atuam em sala de aula e reforça o papel central do docente no processo educativo. Seus achados contrariam a pressão contemporânea pela introdução massiva de tecnologias de última geração nas escolas e mencionam, inclusive, o movimento de retirada ou restrição desses dispositivos em instituições escolares da Finlând...

O Despertar dos Estados-Civilização

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  Equivoca-se quem pensa que um século se encerra rigorosamente em um 31 de dezembro. Como bem observou o historiador Eric Hobsbawm, a deflagração da Primeira Guerra Mundial foi a verdadeira responsável por sepultar o século XIX, e não uma simples data. De fato, a partir do desfecho do conflito, a Belle Époque e seu imaginário tornaram-se apenas lembranças difusas. O cenário bélico e os motores a explosão materializaram essa ruptura: as últimas brigadas de cavalaria ligeira, herdeiras da Guerra Franco-Prussiana, foram subitamente substituídas por carros de combate; o protagonismo das metralhadoras silenciou o heroísmo romântico dos lanceiros de outrora. No campo social, a moral puritana ruiu, dando lugar a novas formas de ser e agir, enquanto as instituições religiosas sentiram o abalo de um mundo em mutação irreversível. Paralelamente, na política, o operariado emergiu como protagonista inconteste, conquistando reformas sociais profundas e consolidando o peso das massas nas decis...

A Dialética do Olhar ou como curtir uma foto

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  Observei atentamente como as pessoas olharam as fotografias que publiquei no Vol. 3 dos Artistas Unidos (Galeria Zagut, 2025, com curadoria de Isabela Simões e Augusto Herkenhoff). Poucas se detiveram em um pequeno momento de fruição; a maioria olhou como quem está à janela de um trem de alta velocidade: captando a paisagem, mas incapaz de contemplar o campo, as montanhas ou os vilarejos ao longe. Outras portaram-se como se estivessem diante de um painel publicitário qualquer. Em todas, percebia-se um distanciamento típico de quem não quer se deixar envolver ou transparecer emoção. Poderiam estar diante de uma coleção de fotos de um descarrilamento com várias vítimas, mas o olhar delas não seria diferente do de quem contempla um gol num jogo de garçons, no Aterro do Flamengo, às três da madrugada. Talvez essas pessoas não saibam mais 'ver' uma foto, perdidas em olhares blasé e modos de ver saturados por uma sociedade imagética que consome tudo, mas não absorve nada. É o q...

Racismo educacional e a condenação da nossa juventude

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        Zacarias Gama Nesta semana de Carnaval, escrevi um texto chamando a atenção para o racismo ambiental. Denunciei o racismo das autoridades governamentais – federais, estaduais e municipais – que menosprezam as áreas onde residem os mais vulneráveis — os pretos e pobres deste país. É chocante o abismo de atenção dispensada: por exemplo, enquanto na Zona Sul ou Sudoeste do Rio de Janeiro o rompimento de uma tubulação d’água é consertado de imediato, na Zona Norte o mesmo problema pode levar dias para ser corrigido. Essa gestão da escassez para uns e da eficiência para outros é a assinatura de um Estado racista. As reflexões que fiz sobre essa cidade segregada e partida levaram-me, naturalmente, ao meu campo de estudo mais amplo: o educacional. É aqui que precisamos nomear o fenômeno: o racismo educacional. Ele não se manifesta apenas na precariedade das escolas públicas, mas na estrutura normativa que nega aos estudantes pretos e pobres o acesso aos saberes univ...